Um sermão do papai é o mesmo que um soco no estômago. É traumatizante, é triste. Quando ele quer ser engraçado e legal, ele é engraçado e legal, mas quando quer pegar pesado, ele pega. Pelo menos eu sinto isso. Domingo tive uma crise estérica de choro, pelo maldito óculos roubado. Ou melhor, pela maldita-vadia-cachaceira-infeliz-ladrona.
A Flávia veio pra casa, e eu fiquei no comércio ajudando meu pai. Trabalhando e atendendo tudo com muita rapidez, pra ele me achar esperta. Trabalhar em comércio é uma merda. É trabalho escravo mesmo. Meus pais trabalham de segunda à segunda, temos que ganhar uma miséria e ainda ter de aguentar aquelas velhas e bêbados insuportáveis. Já é a segunda vez que roubam os óculos da papai. E todos sabem que ele sem óculos é o mesmo que nada. Mas o pior é que eu me senti culpada dessa vez, fui trocar dinheiro para aquela filha da puta que vive a vida com exclusividade pra cachaça. E quando eu esperava ganhar admiração ou gratidão, ganhei um belo de um sermão. Mas eu tive vontade de falar muita coisa pra ele em minha defesa...
- Pai, o senhor tem de ter mais cuidado com os seus óculos, guardá-los!
- Mas eu não vi óculos nenhum em cima do balcão, se tivesse visto, certamente iria guardá-los.
- Eu troquei dinheiro porque sou acostumada a ver o senhor trocar para ela.
Mas preferi não falar nada. Aliás, estou preferindo não argumentar mais nada em minha denfensiva em brigas de pais e filhos. Fico só calada, mesmo sabendo quem está certo.
E agora ele voltou com aquele óculos todo quebrado com a metade de grau dos óculos roubados. E, provavelmente vai demorar para comprar outro, isso exige dinheiro, que é uma coisa que está em falta aqui. E me dá pena ver o meu pai, um cara tão inteligente trabalhando e recebendo como um ignorante, e ainda por cima com aquele óculos - se é que eu posso chamar de óculos, já que estão só as lentes. Puta merda, como me dá pena.
Mas quem disse que o mundo é justo?
Mas pelo menos, não podemos dizer que somos infelizes. Aqui em casa é todo mundo muito unido, muito alegre.
Eu tenho uma tia, que recebe uma grana preta por mês. Não trabalha quase nada. Mas quando vou na casa da mesma, tudo aquilo me dá um embrulho no estômago. É todo mundo muito desunido. Uma pessoa com uma família normal se passar 5 minutos lá é o suficiente pra acabar com o dia. Fora que ela tem filho com depressão que a odeia. E deve ser a pior coisa do mundo ser odiada por um filho. Essa é uma das razões que eu não quero ter filho algum. Ah! E nem casar. Uma vida depois do casamento vira uma vida medíocre. E mediocridade é uma das coisas que eu mais odeio no mundo [depois de pagode, claro].
;*
A Flávia veio pra casa, e eu fiquei no comércio ajudando meu pai. Trabalhando e atendendo tudo com muita rapidez, pra ele me achar esperta. Trabalhar em comércio é uma merda. É trabalho escravo mesmo. Meus pais trabalham de segunda à segunda, temos que ganhar uma miséria e ainda ter de aguentar aquelas velhas e bêbados insuportáveis. Já é a segunda vez que roubam os óculos da papai. E todos sabem que ele sem óculos é o mesmo que nada. Mas o pior é que eu me senti culpada dessa vez, fui trocar dinheiro para aquela filha da puta que vive a vida com exclusividade pra cachaça. E quando eu esperava ganhar admiração ou gratidão, ganhei um belo de um sermão. Mas eu tive vontade de falar muita coisa pra ele em minha defesa...
- Pai, o senhor tem de ter mais cuidado com os seus óculos, guardá-los!
- Mas eu não vi óculos nenhum em cima do balcão, se tivesse visto, certamente iria guardá-los.
- Eu troquei dinheiro porque sou acostumada a ver o senhor trocar para ela.
Mas preferi não falar nada. Aliás, estou preferindo não argumentar mais nada em minha denfensiva em brigas de pais e filhos. Fico só calada, mesmo sabendo quem está certo.
E agora ele voltou com aquele óculos todo quebrado com a metade de grau dos óculos roubados. E, provavelmente vai demorar para comprar outro, isso exige dinheiro, que é uma coisa que está em falta aqui. E me dá pena ver o meu pai, um cara tão inteligente trabalhando e recebendo como um ignorante, e ainda por cima com aquele óculos - se é que eu posso chamar de óculos, já que estão só as lentes. Puta merda, como me dá pena.
Mas quem disse que o mundo é justo?
Mas pelo menos, não podemos dizer que somos infelizes. Aqui em casa é todo mundo muito unido, muito alegre.
Eu tenho uma tia, que recebe uma grana preta por mês. Não trabalha quase nada. Mas quando vou na casa da mesma, tudo aquilo me dá um embrulho no estômago. É todo mundo muito desunido. Uma pessoa com uma família normal se passar 5 minutos lá é o suficiente pra acabar com o dia. Fora que ela tem filho com depressão que a odeia. E deve ser a pior coisa do mundo ser odiada por um filho. Essa é uma das razões que eu não quero ter filho algum. Ah! E nem casar. Uma vida depois do casamento vira uma vida medíocre. E mediocridade é uma das coisas que eu mais odeio no mundo [depois de pagode, claro].
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